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Troca de posição na oposição

“Marina se une a Campos e muda cenário para 2014.” (O Globo)

“Marina se une a Campos para 2014.” (Folha de S. Paulo)

“Marina se filia ao PSB e anuncia apoio à candidatura de Campos.” (O Estado de S. Paulo)

Essas foram as manchetes de domingo (06/10) dos Três Grandes. É a modalidade olímpica Manchete Sincronizada. Mas o que chama a atenção é o pudor, o recato. Onde está a grandiloquência, o espalhafato, o sensacionalismo de nossa equilibrada Mídia ?

No discurso de Marina.

“Projeto por um Brasil que queremos”. “Sepultar de vez a Velha República.” “Acabar com a hegemonia e o Chavismo do PT no governo.” Onde já foram lidas/ditas/ouvidas frases como essas ? Onde cairiam bem ?

A Grande Mídia brazuca teve poupado seu trabalho de oposição nesse último fim de semana. E seus think-tanks certamente já projetam o próximo ano. Se a dupla Marina-Campos se unir a Aécio terão um amplo arsenal de aspas, declarações, perguntas-retóricas, conversas colunistas-“fontes” e tudo o que conhecemos.

A novidade é que nas Eleições-2014 (olha a editoria aí) a Mídia pode, pela primeira vez em anos, deixar o protagonismo para os candidatos. Com uma oposição de direito mais robusta, a oposição de fato dos últimos tempos tende a se recolher e fazer o seu papel de, digamos, imprensa.

Claro que uma forçadinha de mão nos momentos decisivos não pode ser descartada. O know-how é inquestionável.

O que ainda está em aberto nesse cenário eleição/mídia é o posicionamento de Serra. Escanteado no PSDB, o candidato-eterno trabalhará pró-Aécio ? Se a resposta for não, como trabalhará então ? Ou não trabalhará ?

Difícil imaginar que Serra ficará completamente alijado da disputa. Não são necessários grampos da NSA para saber que ele nunca morreu de amores por Aécio. A questão é se ele o boicotará e por quais meios.

Sim, senhores, está aberta a temporada da contra-informação. Ou, pelo menos, aberta a possibilidade. Como diria o Homem do Baú, aguardem.

Especulo ainda mais.

Com as Eleições-2014 assumidas integralmente pelos candidatos, poderemos ver pela primeira vez (dessa vez, na História) os grandes órgãos da imprensa assumirem seus candidatos. Em editoriais. Oficialmente, portanto.

O Estadão já o fez em 2010, assim como Carta Capital faz desde sua fundação. Mas não a coloco no bloco da Grande Mídia. Nem em tamanho, nem em alinhamento editorial. E isso é um elogio.

Essa prática, comum em veículos dos Estados Unidos e Europa, se adotada em conjunto pela Grande Mídia, seria inédita por aqui. E seria mais uma medida de transparência, somando-se  à disponibilização digital do acervo dos grandes jornais. Muito pouco ainda, mas significativo.

Seria também, lógico, um reposicionamento de marca, um aceno para o mercado. Uma espécie de “Ei, vejam, somos plurais, honestos e transparentes, que tal investir aqui ?”

Ingenuidade e Grande Mídia, afinal, não combinam.

 

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Embargos 1 x 0 Mídia

Os embargos infringentes são recursos ao julgamento na última instância. Cabíveis por essa última instância, na verdade, ser a única. Houve polêmica, e ela existiu pelo fato de não haver jurisprudência. E não há jurisprudência porque o STF jamais condenou alguém com foro privilegiado.

Bom, isso foi o que eu entendi. Sou leigo, e esse texto é minha compreensão desse episódio. Ou de parte dele.

Porque o “Mensalão” tem muitos episódios, está longe de acabar e se arrasta pelo noticiário ad-eternum. Talvez mais do que os seus artífices esperavam. Depois de uma semana de desinformação, tendenciosidade, histeria e pressão por parte da Grande Mídia, sobrou pouco trigo desse joio.

Falando em impunidade, pizza, reabertura de julgamento, lentidão, etc, a Mídia “contribui” bem à sua maneira para o esclarecimento do caso. Foi assim desde o início, o que esperar do final ?  Mas há exceções.

Marcelo Coelho, membro do conselho editorial da Folha (veja só), classificou como lição de direito a sessão de ontem no STF e de magistral o voto de Celso de Mello. Adjetivações à parte, destaca-se o entendimento do duplo grau de jurisdição. Ou popularmente conhecido como recurso. Alguém condenado no Supremo jamais poderia recorrer, ferindo assim o amplo direito à defesa.

Cabe aí uma reflexão semântica sobre o termo “foro privilegiado”. Ora, se alguém é julgado diretamente no STF e não lhe é concedido o direito ao recurso, que privilégio seria esse ? Seria, isso sim, um tribunal de exceção. Mas e o adjetivo “privilegiado” desse foro, diz respeito ao quê ? Seria à possibilidade de encontrar privilégios, benesses naquele tribunal ? O entendimento poderia ser esse por parte do réu. Ou do legislador, na eventualidade de se transformar em réu . Mas do jurista ? Conceber um processo sem amplo direito de defesa ? Sem recursos ?

Isso também não incomodou a Grande Mídia. Nunca. Pelo menos que eu tenha lido. Bussunda, humorista e colunista esportivo, dizia que toda vez que assistia a um jogo do Rivaldo este jogava mal. Quando não assistia, ele arrebentava.

Talvez aconteça o mesmo comigo em relação à Mídia. Quando ela acerta, eu não estou olhando. Não é esse o caso, porém.

Os embargos infringentes, vistos como privilégio, incomodam a Mídia justamente no momento do “Julgamento para a História”, (O Globo). Ou o “Maior Julgamento da República” (Correio Braziliense). Uma seleção natural que envergonharia Darwin.

No site da Carta Capital, Pedro Estevam Serrano, advogado e professor da PUC-SP, lembra que o caso era de difícil resolução, chamado no meio jurídico de “hard case”, pois previa mais de uma solução possível para o caso, além de contraditórias entre si. E apontou que, por se possuírem ambos os argumentos sólidas justificativas, os magistrados deveriam se balizar pela Carta constitucional para valorar suas posições. Utilizar a Constituição, não os editoriais.

O que foi dito, por exemplo, pelo ministro Luís Roberto Barroso em seu voto semana passada. “Sou um juiz constitucional, voto com a minha consciência, não almejo manchete favorável.”

É uma pena, pois a Mídia contava com isso.

 

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