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Os frangos assados de Fiuza

O rolezinho, esse incompreendido. O “fenômeno articulado pelas redes sociais” (clichezaço 1) sofre de tudo aquilo que vem do andar do baixo: o olhar distante e pasmo do andar de cima.

Na edição d’O Globo de sábado (18/01), Guilherme Fiuza, centroavante rompedor do diário marinhesco fez sua análise do “fato marcante da semana” (clichezaço 2). E por que não haveria de  fazê-lo ?  Afinal ele está lá pra isso, dar sua opinião, sua visão, analisar os acontecimentos pela sua ótica, com total independência e isenção. O fato de jamais ter discordado da linha editorial do jornal é um mero detalhe.

E atento aos detalhes como é, Fiuza deve ter notado que na mesma edição do diário há uma matéria na página 5 que dá conta de uma liminar expedida por uma juíza que proíbe o rolezinho no Shopping Leblon. E bem no meio da matéria, ele, o querido e amado box Opinião do Globo, que aponta para oportunistas se aproveitando do “factoide”. E lá vai a galeria: Gilberto Carvalho, MTST, cientistas políticos e … pensadores de generalidades de plantão.

Não é o caso dele. Fiuza é um analista, e prova isso em seu texto, onde começa fazendo prognósticos eleitorais (ele é  bom nisso).

Eleições. Os jornais só pensam nisso, e todo e qualquer fato pode e deve ser direcionado para a urna.  Parece até que eles são atores políticos interessados diretamente no assunto. Estranho…

Mas Fiuza vai adiante e tenta em seu texto denunciar uma apropriação dos rolezinhos por parte do (adivinha quem ?) PT. O partido estaria utilizando o evento para turbinar sua retórica esquerdista com fins eleitorais (?!). Calibrando seu arsenal demagógico para redirecioná-lo à burguesia excludente e apontar-lhe o dedo incriminador pelo seu histórico descaso social com as camadas mais pobres. (ufa, isso cansa…)

Ou seja, plantando em janeiro para colher em outubro. De novo, as Eleições.

Assim como as Eleições são para a Grande Mídia, é o PT para Fiuza (e, por extensão, para seus colegas de camisa-de-força. Desnecessário nomeá-los.)

Se toda essa retórica marxista-leninista-maoísta-castrista-petista-e-etc conseguiu, por si só, se manter no poder por 16 anos, não resta dúvida: o PT deve contar com os maiores estrategistas políticos da história da humanidade. Maquiavel aplaudiria de pé, Hobbes se emocionaria e Locke pediria autógrafos.

Não passa pela cabeça privilegiada de Fiuza que o governo possa ter feito algo de bom pela população ?  Um governo se mantém, num regime democrático, por 16 anos no poder apenas com retóricas, blá-blá-blás e conversa mole ?

A despeito dos erros cometidos em todos esses anos (e não foram poucos), a população vê, sim, os governos de Lula e Dilma como modificadores de suas vidas, ainda que num contexto imediatista.

Fiuza prossegue denunciando “o pensamento solidário dos hipócritas”. Diz que “o PT acha certo – e boa parte da burguesia culpada e pusilânime – que uma multidão de garotos (…) tem o direito de privar os indivíduos que não estão em bando do lazer ou dos serviços de um shopping.”

Acha que acabou ? Então segura essa: “Assim é a infernal bondade aritmética da esquerda: se um ajuntamento de cabeças, ocas ou não, resolve ocupar um espaço público e atropelar sua finalidade, tudo bem.”

Antes disso, Fiuza tinha listado, entre as possibilidades de um shopping center, “consumir cultura.”

Por partes, como diria Serra.

Qual a diferença entre a multidão de garotos e o indivíduo que não está em bando ? O bando, apenas. De resto, tanto  os garotos quanto o indivíduo foram ao shopping fazer as mesmas coisas: passear, lanchar, namorar e até comprar.

Há outras diferenças entre os garotos e o indivíduo, sim, mas se eu disser que os garotos são negros e pobres e o indivíduo branco e rico pode soar como retórica esquerdista e Fiuza, claro, detectaria. Deixa quieto.

Quanto à ocupar um espaço público, acho que Fiuza se engana. Shopping não é espaço público, a menos que essa retórica (direitista ?) convenha. É público pros “bons” frequentadores e privado pros “maus” ?  Ou o contrário ?  Ou talvez seja público pra justificar a presença da PM ?  Se for público, é franqueado a toda a população, correto ?  Não sabia que o termo público fosse assim tão … flexível.

E, por fim, shopping center (pra quem não sabe, é um termo em inglês) quer dizer centro de compras. Não dá pra consumir cultura lá, e não adianta vir com o papo de que há cinemas em muitos deles. Há salas de projeção. Cinema é outra coisa.

Fiuza se parece com aqueles personagens dos desenhos da Warner Brothers: quando estão com fome, vêem frangos assados em toda parte.

Os frangos assados de Fiuza são duas letras: PT.

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