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Popularidade de quem, cara pálida ?

Recente pesquisa do Datafolha divulgada nesse fim de semana mostra queda da “popularidade” de Dilma em 27 pontos. Bastante, principalmente em se tratando de uma presidenta da República. Bastante também pra que soem as Trombetas do Inferno. E quem traria as Más Novas ?

Eliane Catanhêde, colunista do jornal escreveu neste domingo que “a popularidade de Dilma esfarela e a reeleição vai para o beleléu.” E que “não foi por falta de aviso.”  Visão ou especulação ?

Surpreendentemente mais brando e mais reflexivo do que sua colunista, Otávio Frias Filho, dono do jornal, em editorial afirma que “a presidente paga o preço por um sistema corrupto e desmoralizado, a que não teve meios ou energia para se contrapor.”

As duas visões turbinadas pela recente pesquisa do Datafolha. Que registrou um sentimento legítimo dos entrevistados, ainda que seja apenas uma amostra do universo da população brasileira. O problema é que os dois articulistas passaram batido por outros resultados da mesma pesquisa. Ao mesmo tempo que cai o conceito de “Ótimo/Bom” e aumenta o de “Ruim/Péssimo”, aumenta também o de “Regular”.

Ainda na mesma pesquisa, sobre o desempenho da presidenta em relação às manifestações, apenas 26% desaprovaram; 32% aprovaram e 38% foram indiferentes. 68% dos entrevistados gostaram da idéia do plebiscito para Reforma Política. E 73% aprovaram a criação de uma constituinte para isso.

Ora, se a avaliação do governo Dilma cai, por que nos outros quesitos sua atuação é elogiada ?  Os outros aspectos da pesquisa não são levados em conta para se avaliar popularidade ?  Quais são os itens que compõem o conceito de popularidade ? Tudo leva a crer que se trata de mais uma criação de discurso made in Barão de Limeira. Como o recente TomateGate.

Chego à conclusão que pesquisa é igual a Bíblia: cada um pega a parte que lhe interessa e cria sua própria igreja. E arrebanha seus próprios fiéis também. Mas a questão não é essa.

Sempre me intrigou o fato de a Folha de S. Paulo, um dos maiores jornais do País, possuir um instituto de pesquisa. Isso não afetaria a credibilidade do jornal em algum momento ?  E como se confere credibilidade a um jornal ?  O histórico de “serviços prestados” por este veículo ao longo do tempo ?  Não nos esqueçamos que o slogan da Folha é “Um jornal a serviço do Brasil.”

A quem interessa o tom alarmista sobre parte de uma pesquisa ? Na mesma avaliação foi revelado o desejo pelo plebiscito e por uma constituinte exclusiva para tratar da Reforma Política. Será dado o mesmo destaque ?

Além de informar e opinar, criar discursos parece ser a nova especialidade da Mídia.

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