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Efeito Bumerangue

Voltamos. Depois do longo tenebroso inverno/primavera, prometemos uma assiduidade maior. Lutaremos para isso.

Em artigo publicado esta semana, Noam Chomsky e outros intelectuais denunciam a cobertura parcial e dissimulada da Grande Mídia internacional sobre os bombardeios em Gaza. O linguista americano diz que “estamos, na melhor das hipóteses, diante de relatos distorcidos e de má qualidade e, na pior, de manipulação propositadamente desonesta .” Cita a camuflagem das notícias, que escondem os civis palestinos mortos e enfatizam os mísseis do Hamas direcionados a Tel-Aviv. Em meio a relatos de médicos e moradores atingidos na região, Chomsky expõe a ligação das grandes empresas de comunicação com Israel e seu principal apoiador, os Estados Unidos. E faz uma análise aguda dos métodos de abordagem da mídia internacional: “A falta generalizada de indignação pública a estes crimes é uma conseqüência direta do modo sistemático em que os fatos são retidos ou da maneira distorcida que esses crimes são retratados.” E encerra conclamando os cidadãos “para que se informem através de meios de comunicação independentes, e exprimam a sua consciência por qualquer meio que lhes seja acessível.” No Twitter isso já acontece desde o início da última semana.

Em matéria publicada na quinta (15/11), O Globo lembra que Israel optou, a partir de 2004, em realizar ataques “cirúrgicos” à Gaza, focando na eliminação dos líderes palestinos.  De lá pra cá, 59 mortos do lado palestino são contabilizados até agora, sendo metade de mulheres, crianças e idosos. Seria a CIA dando workshops para a IDF ? Os mesmos ataques cirúrgicos usados no Iraque e no Afeganistão ?

Ironia ou não, hoje também foi bombardeado um prédio em Gaza que sediava boa parte da imprensa internacional. Israel alegou mirar apenas nas antenas (!?). Acidente ou aviso ?

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Liberdade de Exceção

“E não creiais que Allah está desatento a tudo quanto cometem os injustos. Ele somente os tolera, até ao dia em que seus olhos ficarão atônitos;” 14ª Surata (Abraão), versículo 42.

“Em verdade, eles conspiram intensivamente (contra ti), e Eu conspiro intensivamente (contra eles). Tolera, pois, os incrédulos; tolera-os, por ora !” 86ª Surata (O Visitante Noturno), versículos 15-17.

Estas duas passagens do Alcorão Sagrado dão margem a várias interpretações. Inclusive se fizermos o exercício dos dois pontos de vista: Ocidental e Oriental. Tanto serve ao fanatismo muçulmano quanto ao fanatismo cristão.

Com a polêmica que foi gerada nos útlimos dias com o filme americano e a charge francesa, as trincheiras se armaram em tempo recorde. Matéria d’O Globo de sexta-feira (21/09) mostra a repercussão nos governos americanos, francês e alemão sobre a polêmica e suas medidas preventivas, sobretudo fechamento de embaixadas. Cita também a reação dos veículos de imprensa envolvidos na polêmica, o francês Charlie Hebdo e o alemão Titanic.

Além disso, O Globo coloca o seu mini-editorial Opinião no meio do texto, que diz (entre outras coisas):

“É tão obscurantista quanto o próprio sectarismo a ideia de que o governo dos Estados Unidos é  responsável por qualquer manifestação na sociedade americana sobre Maomé ou quem quer que seja. Ora, a liberdade de expressão é um direito sólido no país (…)”

Talvez o diário carioca se esqueça da seguinte equação: EUA + Oriente Médio + Petróleo = Guerra. Invadir o território muçulmano sistematicamente há décadas em busca de petróleo, usando a falácia da democracia delivery como muleta: eis o cardápio. E qual o canal escolhido ? Bingo, a mídia. O que dizer da promiscuidade entre Casa Branca e Fox News, CNN, CBS e que tais ? Liberdade de expressão a serviço de algo.

Na revista Carta Capital nº 715, de 19/09, o professor Vladimir Safatle reflete sobre a questão fanatismo islâmico x liberdade de expressão. Segue:

“(…) Há de se fazer um reflexão a respeito do flme que serviu de estopim para tais ações. Permitir um filme dessa natureza, onde seu realizador afirma querer mostrar como o islamismo é um câncer, nada tem a ver com liberdade de expressão. Pois nunca a liberdade de expressão significou poder falar qualquer coisa de qualquer forma. Em toda a situação democrática, há afirmações não permitidas. (…)”

Claro. É uma sensação óbvia que sentimos quando assistimos, por exemplo, cenas de grupos neo-nazistas marchando, empunhando bandeiras e fazendo discursos racistas. Sentimos revolta, até nojo. Para nós, eles sequer deveriam existir. Muito menos se manifestar. Nesse caso, a liberdade de expressão nunca é invocada. Lógico, afinal, eles são extremistas, não são ? Safatle continua a sua reflexão:

“(…) É claro que  temos o direito de criticar dogmas religiosos. Não se segue daí, porém, que se possa fazer isso de qualquer forma. (…) Saber encontrar a forma adequada de crítica é o mínimo que se pode esperar no século XXI.”

Safatle também argumenta que os grupos islâmicos responsáveis pelos atentados contra as embaixadas recebem suporte logístico e, mais do que isso, moral e teocrático de países como a Arábia Saudita, a mais poderosa e saguinária ditadura do Oriente Médio. Principal aliada comercial, econômica, financeira e política de, adivinhem quem ?  Um BigMac pra quem acertar.

Interpretar os fatos, como as duas frases lá de cima, sem preconceitos: mais uma missão diária da imprensa. Boa sorte. Pros fatos.

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Editoriais & Editoriais

Com editoriais estrangeiros ilustrando a matéria assinada por Fernanda Godoy  e publicada n’O Globo de hoje (20/09), “Romney tenta contra-ataque após vídeo”, o diário carioca acaba marcando um gol contra.

 

A matéria fala sobre as tentativas fracassadas dos republicanos de atacar Obama e seu programa de governo, principalmente a iniciativa de distribuição de renda nos EUA (alguém pensou Bolsa Família ?). Em meio aos argumentos contrários aos democratas, Mitt Romney desprezou  a parcela de americanos que recebem ajuda do governo (cerca de 47 %), que em tese seriam decisivos para a virada nas eleições.

 

Para ilustrar a péssima recepção que os comentários causaram na opinião pública de lá, O Globo publicou trechos de alguns editoriais de jornais americanos. Ente eles, o Wall Street Journal, propriedade da News International, conglomerado de Rupert Murdoch. De inclinação claramente republicana, portanto. Fala o editorial: “Um homem tão esperto quanto o ex-presidente da Bain Capital (Romney) pode fazer um discurso melhor sobre impostos e dependência do que o que fez no evento de arrecadação de recursos. Se não pode, vai perder, e vai merecer.”

 

No corpo da matéria, O Globo não se furta a dar sua opinião num mini-editorial, que segue: “Depois de o republicano Mitt Romney cometer a gafe de desprezar a metade do país que supostamente vive de repasses do governo, parece ter aumentado o otimismo de Obama e democratas. Mas até novembro há tempo suficiente para surpresas, contra e a favor de qualquer dos candidatos. Contra Obama conspira uma conjuntura mundial, política e econômica, instável.”

 

A questão não é a tão propalada imparcialidade, pois isso é uma ilusão. A simples emissão de uma opinião configura uma tomada de posição, a escolha de um lado. Isso não impede, contudo, a formulação de uma crítica àquele por quem se é simpático. É tradição na imprensa americana (e européia também) que um veículo declare seu apoio à este ou aquele candidato, ou que tenha essa ou aquela posição política e econômica.

 

O Wall Street Journal, que apóia Romney, faz uma crítica contundente e direta ao candidato republicano. E, de uma certa forma, evidencia uma de suas fraquezas. Claro, pois apoiar não significa fazer campanha para. Nem funcionar como assessoria de imprensa, podando defeitos e ressaltando qualidades.

Já o Globo deixa à mostra uma certa “torcida” por Romney, dizendo que “(…) até novembro há tempo suficiente para surpresas”.  Ora, as pesquisas americanas mostram Obama se distanciando cada vez mais, o que torna mais difícil a virada republicana. Os próprios republicanos não ajudam em relação a isso, mostrando uma inépcia e um despreparo cada dia maior. Somente um escândalo pessoal poderia derrubar Obama. Improvável, portanto.

 

Assumir posições políticas abertamente, sem o jogo de espelhos da imparcialidade e da isenção. Lição Nº 1 para a imprensa brasileira.

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