Davi e Golias in reverse

Incursão, ofensiva, operação, expansão significativa. Esses são alguns termos utilizados pela repórter Daniela Kresch em sua matéria nesse sábado (19/07) n’O Globo. O assunto: o massacre em Gaza. Adotando o ponto de vista de Israel, informações presentes no texto como a morte de 35 palestinos contra 1 israelense são minimizadas.

Nenhuma surpresa. O Globo, a exemplo de seus concorrentes brasileiros, segue a linha editorial de boa parte da Grande Mídia internacional.

Mas o foco do texto é o ataque, por parte de Israel, à infraestrutura do Hamas. Túneis construídos pelo grupo islâmico para, segundo o diário carioca, “contrabandear produtos – incluindo armas.” Chamados por Netanyahu de “Túneis do Terror.” O jornal lembra ainda que, antes da descoberta dos túneis, era o “arsenal aéreo” do Hamas que levava milhões de israelenses a se proteger em bunkers.

De uma forma enviesada, O Globo acaba igualando o poderio bélico do Hamas com o Estado de Israel. “Milhões de israelenses a se proteger em bunkers.” Sério ? Não se subestima o alcance dos mísseis, mas “milhões” ? A capacidade de defesa de Israel é diminuída também. E mais uma informação é minimizada: no corpo do texto, revela que 340 projéteis de diversas facções islâmicas foram abatidos pelo Domo de Ferro, o sofisticado escudo anti-mísseis israelense. Contradição, portanto.

Mais à frente no texto, a repórter, em referência à funcionalidade dos túneis, relata que, na quinta-feira (17/07), “13 militantes do Hamas, armados até os dentes, surpreenderam Israel ao surgirem, do nada, a poucos metros de distância do Kibutz Sufa, na fronteira com o Sul de Gaza.”

Armados até os dentes. Bem, parece que aqui a adjetivação está liberada.

Treze militantes armados até os dentes surpreenderam o mais tecnológico dos exércitos no mundo. Não, não convence.

Mais à frente, ainda sobre os túneis, “trata-se de uma sofisticada rede com número incerto de ramificações, que os militares israelenses chamam de cidade subterrânea.” Adiante no texto, Kobi Michael, especialista militar consultado, opina: “Para o Hamas, são uma arma estratégica, principalmente após perceberem que o impacto real dos foguetes contra Israel é menos dramático do que se esperava.”

Menos dramático ? E os supracitados “milhões” de israelenses que se protegem em bunkers ? Contradições, contradições…

Tentar comparar o Hamas com o IDF (Israel Defense Forces) chega a ser ridículo. Por isso, figuras de linguagem tão caras à língua portuguesa como eufemismos, hipérboles e metáforas vêm bem a calhar.

E assim, Davis viram Golias e vice-versa.

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