A Direita na mira de Prata e Miriam. Hã ?!

Por partes, com o diria Jack. Primeiro Prata. Em sua irônica coluna de domingo (03/11), na Folha, Antonio Prata atacou a Direita que não diz seu nome com suas próprias armas. Suas, dela.

A farta distribuição de clichês reacionários que criticavam o Brasil de hoje atingiu em cheio seus alvos, só que com um efeito bumerangue. Lamentavelmente para o autor, os atingidos não acusaram o golpe. Aliás, muito pelo contrário.

No dia seguinte, na seção de cartas do diário dos Frias, recebeu os parabéns pela “coragem” de dizer as “verdades” que, na prática, não disse. A insólita solidariedade conservadora transformou a situação numa dupla-ironia, em que as críticas feitas pelo personagem criado por Prata foram reforçadas ao invés de rechaçadas. Elas ganharam vida.

Mais do que isso, ganharam rosto, cor, endereço, faixa salarial, escolaridade e classe social. Uma carapuça múltipla que serviu a contento a uma fatia considerável de leitores do jornal. E estes disseram, em uníssono, um sonoro presente.

Foi tão nonsense que Prata escreveu na mesma segunda (04/11) e na mesma seção o seguinte: “A intenção, ao criar tal persona retrógrada, racista, machista e homofóbica, era apontar tais preconceitos em nossa sociedade. Parece que funcionou (…)”. Fato.

Já Miriam Leitão não criou personagem nenhum. Foi direta. Em sua coluna n’O Globo de domingo (03/11),  preferiu falar do maniqueísmo emburrecedor no debate político brasileiro e fez críticas aos dois lados. Acertou e errou.

Para destacar o exagero cometido por conservadores e progressistas, comentou aspectos positivos e negativos tanto do PT quanto do PSDB. Seletivamente, óbvio. Mas num tom equilibrado, que é sua característica.

Falou implicitamente dos blogueiros, na “suposta esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais.” Verdade. Como alguns dos veículos em que trabalha, aliás. Mas isso não falou.

Falou também na “direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.” Verdade também, mas não os criticou por isso.

Relembrou também uma crítica recebida de um colunista recém-contratado pela Folha (desnecessário nomeá-lo) e concordou com o termo “rotweiller” cunhado pela ombudsman do jornal e atribuído a ele por ser grosseiro.

Crítica à Folha pelo espaço dado ao “rotweiller”: nenhum registro.

Prata e Miriam, cada um a seu modo, atacaram a Direita, com “d” maiúsculo. Só que Prata, com sua ironia, foi mais direto. Seu erro (se é que houve) foi apostar na inteligência “dessa” Direita. Talvez não esperasse a personificação dos preconceitos como resposta e em forma de congratulações.

Miriam, ao tentar ser direta, foi melíflua. Ao atacar os articulistas raivosos e espumantes livrou a cara dos empregadores, ambos integrantes do mesmo clube: a Direita brasileira.

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